Blog desses tempos

terça-feira, novembro 26, 2002

Eu adoro esse tema ! Pra quem tiver paci�ncia de ler tudo, � mais ou menos o que eu penso.

(...) "As mo�as percebem que disp�em de um importante poder de atra��o sobre os homens j� nos primeiros anos da puberdade e adolesc�ncia. Com o crescer dos seios e o arredondar dos quadris elas passam a chamar a aten��o e a atrair um determinado tipo de olhar diferente daquele que estavam acostumadas a receber durante os anos da inf�ncia. Trata-se de uma descoberta complexa, que pode ser entendida como a que determina a perda da ingenuidade. A ingenuidade n�o � perdida, segundo creio, quando um menino ou menina descobrem como nos reproduzimos e sim quando percebem � e as meninas parece que saem na frente nesse aspecto � que existe um complexo jogo de poder entre os sexos e que a vida sexual n�o pode ser praticada com a simplicidade com que as crian�as "brincam de m�dico". A descoberta do poder sensual por parte das mo�as leva muitas delas a um estado de timidez, de retraimento, sendo que algumas entram mesmo em p�nico. Elas percebem que atraem os homens e isso as excita muito. Aquelas que sentirem medo da pr�pria excita��o, muito intensa e um tanto inesperada, ficar�o totalmente inibidas naquelas situa��es prop�cias para provoc�-los. O que far�o? Tentar�o minimizar seus poderes atrav�s do uso de roupas extremamente recatadas, ganhando peso, se tornando particularmente retra�das, etc. Na realidade, n�o aprenderam nem a "domesticar" seus impulsos sexuais e tampouco a instrumentaliz�-los. Passam a sentir-se � merc� deles, ficam ref�ns de sua pr�pria excita��o, o que determina um estado de confus�o ps�quica capaz de gerar sintomas como os acima descritos, entre outros.

Um certo grupo de mo�as aprende a lidar com sua pr�pria sexualidade; elas passam a ter controle sobre esse instinto e perdem o medo de serem "desencaminhadas" por causa dele. Tal temor era mais intenso no passado, quando eram muito intimidadas por seus pais quanto �s peculiaridades do sexo. Hoje, ao contr�rio, as de 13 anos "ficam" com os rapazes da mesma faixa et�ria nas festas e, atrav�s dessa sadia experi�ncia, v�o aprendendo a sentir a excita��o sexual sem medos e sem receio de perder o controle sobre si mesmas. Aprendem isso por meio das sensa��es t�cteis que as trocas de car�cias determinam; notam que a excita��o determinada por olhares de desejo n�o s�o de natureza diferente, de modo que perdem a ingenuidade e parte do medo que eventualmente experimentaram pelo fato de terem crescido e se tornado atraentes, e com isso aprendem a lidar com sua sexualidade. Percebem que muitas mo�as podem us�-la como arma de sedu��o e de humilha��o em rela��o aos rapazes, mas nem sempre seguem por esse caminho.

Um outro grupo de mo�as, nada pequeno, percebe o poder que elas t�m aos olhos dos homens, o qual ser� tanto maior quanto mais forem capazes de se vestir e de se comportar de determinados modos que eles sintam como particularmente excitantes. A excita��o que isso lhes causa pode provocar uma certa perturba��o �ntima, mas aprendem a sentir mais prazer em provocar o desejo do que em sentir qualquer tipo de excita��o sexual que n�o seja aquela derivada do exerc�cio da vaidade. Para elas, despertar o desejo dos homens, t�-los rendidos aos seus p�s torna-se o mais importante. Nesse caso, existe o benef�cio simult�neo de dois componentes do processo: a vaidade e o desejo agressivo; o ingrediente vingativo e invejoso passa a participar ativamente do fen�meno sexual. Ali�s, � por raz�es dessa ordem que ainda temos muito que pensar sobre a dram�tica associa��o, presente, em doses variadas, em quase todos n�s, entre sexualidade e agressividade. Para tais mo�as, como regra as mais atraentes, o poder sensual se torna um instrumento de domina��o, humilha��o e uma arma muito poderosa. Sim, porque sabemos o quanto os homens s�o sens�veis a esse tipo de encanto.

N�o posso deixar de registrar um importante subproduto derivado desses processos ps�quicos tipicamente femininos e que t�m a ver com o poder que, sem muito esfor�o, passam a ter a seu dispor. Surge uma importante e grave tend�ncia, na maioria das mo�as mais atraentes, a se acomodarem na condi��o privilegiada que a natureza lhes criou. S�o muito bem-sucedidas socialmente, assediadas, convidadas para muitas festas e sempre muito bem recebidas pelos rapazes; tudo em virtude de suas propriedades inatas, de sua apar�ncia f�sica. Elas sabem que o mundo se curva aos seus p�s, e que isso acontece mesmo que n�o fa�am nenhum esfor�o. T�m acesso ao que � tido como o que h� de melhor sem ter que fazer outra coisa sen�o existir e se manter atraentes. Poucas s�o as que compreendem, na mocidade, que tais propriedades n�o durar�o mais que umas poucas d�cadas e que seria importante que cultivassem outras prendas, tanto morais como intelectuais, capazes de gerar compet�ncias pr�ticas que pudessem torn�-las criaturas verdadeiramente independentes e produtivas. Julgam-se muito espertas porque t�m tudo "de m�o beijada" e n�o percebem que est�o construindo um futuro muito sombrio para si mesmas.

A instrumentaliza��o do poder sensual, executada justamente por um bom n�mero das mulheres mais bonitas, atraentes e que s�o cobi�adas por muitos homens, acaba por ser percebida pelos mais inteligentes e perspicazes. O que eles fazem? Tratam de sofisticar ainda mais seus poderes e de instrumentaliz�-los na mesma medida. Assim, muitos homens v�o se apercebendo que s� ter�o acesso a essas mulheres se tiverem boa posi��o econ�mica, social e profissional. Esfor�am-se por conseguir tais distin��es e, aparentemente, as oferecem �s belas mulheres que tanto os encantam. Na realidade, apenas usam seus sucessos como uma esp�cie de "chamariz", da mesma forma que elas se utilizam da beleza. Mostram o que t�m, mas n�o d�o nada. Levam as belas mo�as para passear nos seus lindos carros, lhes d�o "presentinhos" de valor duvidoso e tratam de, atrav�s de seus poderes, seduzi-las a partir da hip�tese de que n�o � imposs�vel que consigam conquistar um homem assim, um "vencedor". Eles, na verdade, buscam o sucesso essencialmente com o intuito de melhorar sua posi��o nesse jogo de poder que se estabelece em rela��o �s mulheres mais belas; depois, querem mesmo � envolv�-las, ter a intimidade f�sica desejada para, logo em seguida, rejeit�-las e humilh�-las. Elas aperfei�oam suas armas por um lado e eles fazem o mesmo por outro." (...)

(extra�do do site do psicoterapeuta Flavio Gikovate)